Desafios e recompensas da saúde bucal no Brasil

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Apesar da redução do número de cáries em crianças e adolescentes e da diminuição da perda dental na terceira idade, cerca de 11% dos brasileiros nunca foram ao dentista e mais da metade da população é edêntula.

Embora o país tenha o maior número de cirurgiões-dentistas por habitante, o cenário apresenta muitos desafios e desigualdades. Por outro lado, também cria oportunidades para os profissionais da odontologia que querem atuar para modificar essa realidade.

Para mostrar um panorama avançado da situação da saúde bucal do brasileiro, elaboramos este post com informações interessantes e capazes de incentivar você a direcionar melhor os seus esforços. Basta continuar a leitura para entender!

Confira alguns dados sobre a saúde bucal do brasileiro

Antes de abordar desafios e oportunidades, é importante traçar um panorama a respeito da evolução da saúde bucal no Brasil. No fim da década de 90, a cárie estava fortemente presente em crianças de até 12 anos, e o edentulismo em adultos era alto. Cerca de 72% da população urbana entre 50 e 59 anos já havia extraído todos os dentes de pelo menos um maxilar.

Com os constantes esforços de profissionais e campanhas de conscientização, a partir do século XXI houve uma diminuição do número de cáries em crianças e adolescentes entre 12 e 19 anos. A perda dental na terceira idade também diminuiu, de forma que em 2003 a média chegou a quase 26 dentes em idosos entre 65 e 74 anos.

No entanto, em 2010, apesar da redução da cárie a partir de 12 anos, a meta de 50% das crianças de cinco anos livres do problema não foi atingida, especialmente no interior do Norte e Nordeste do país. A perda dental permaneceu elevada entre adultos e idosos, com cerca de 53% dos brasileiros entre 65 e 74 anos edêntulos e 22,4% entre 35 e 44 anos sem dentição funcional.

Saiba mais a respeito do acesso a serviços odontológicos no Brasil

O Brasil é o país com o maior número de cirurgiões-dentistas por habitante do mundo: hoje são 312.035 cirurgiões-dentistas. Porém, a distribuição territorial mostra desigualdade, não garantindo atendimento a todos. Mais de 57% dos profissionais e cerca de 40% das faculdades de odontologia estão na região Sudeste, nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Diante desse cenário, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) demonstrou, em 2003, que 15,9% da população brasileira nunca havia ido ao dentista, sendo que o valor caiu para cerca de 11% na PNAD de 2008.

Quanto ao acesso aos serviços odontológicos, cerca de 30% da população utilizou o SUS entre 2003 e 2008, segundo a pesquisa. Em torno de 64% buscaram a rede privada, número que aumentou para 74% em 2013.

Por conta de tais dados, é fácil observar que ainda existe um longo caminho pela frente até que todos tenham acesso a serviços bucais de qualidade. Até lá, investimentos na conscientização e em políticas de valorização dos profissionais da odontologia devem ser incentivados. Nesse sentido, os dentistas têm buscado se capacitar cada vez mais para enfrentar os enormes desafios da saúde bucal no Brasil. 

Atualmente, a maioria dos profissionais se especializa em pelos uma das seguintes áreas da odontologia: ortodontia, endodontia, periodontia e implantodontia. Essas especialidades visam a melhora da funcionalidade bucal do paciente sob diferentes aspectos, e o cenário atual do país na área de saúde bucal precisa de profissionais capazes de contribuir para o resgate dos sorrisos e da autoestima de milhões de pessoas.

Entenda quais são os fatores que influenciam a saúde bucal do brasileiro

A saúde bucal do brasileiro é um problema que se fundamenta em diversas questões. A primeira delas tem relação com o governo, que não se preocupa em oferecer ao indivíduo carente o básico para que viva com dignidade. Isso não significa disponibilizar uma dentadura em épocas de eleição, mas sim fazer investimentos em informação para famílias, conscientização e tratamentos odontológicos básicos desde a infância.

A falta de informação e estrutura impede que pessoas menos favorecidas aprendam a importância de bons hábitos de higiene bucal. Em muitos casos elas sequer têm água encanada e sistema de esgoto em suas casas, dificultando a realização da escovação adequada.

Deste modo, muitos pacientes chegam ao consultório odontológico depois de sofrerem por dias com dores intensas, ao ponto em que a única solução possível é a extração do dente avariado.

Seja porque o órgão público de saúde não conta com estrutura para um tratamento mais complexo ou porque o próprio paciente insiste em se ver livre do problema rapidamente, trata-se de algo corriqueiro.

Descubra como está a saúde bucal do brasileiro na atualidade

Podemos tomar como referência a pesquisa de saúde bucal de 2010, também conhecida como Projeto SB Brasil 2010. É uma avaliação dos brasileiros em relação a diversas doenças dentais para fins de planejamento e programas de prevenção e tratamento.

De acordo com o estudo, o CPO (índice de ataque de cárie) aos 12 anos de idade foi de 2,78 em 2003, enquanto na versão de 2010 o número caiu para 2,07, reduzindo 26,2% em sete anos. No entanto, entre os adolescentes de 15 a 19 anos, a média apontou 4,25, número bem superior ao dos indivíduos até 12 anos. Quando comparamos tais dados com os colhidos para a pesquisa de 2003, a queda bate em 35% — de 2,60 dentes em 2003 para 1,70 em 2010.

Com relação aos idosos e adultos, a redução no ataque de cárie não é muito significativa quando consideramos o aspecto cumulativo das sequelas da doença. Assim, no que se refere aos idosos de 65 a 74 anos, o CPO praticamente não mudou, ficando em 27,5 em 2010, ao passo que em 2003 a média era de 27,8. Por outro lado, com relação ao grupo de 35 a 44 anos, o CPO diminuiu de 20,1 para 16,7, redução de 17%.

Outra informação importante: além da redução dos índices “cariados”, houve um aumento do componente “obturado”. Isso quer dizer que os indivíduos de 35 a 44 anos estão sofrendo menores ataques de cárie e recebendo maior acesso a serviços dentários. Trata-se de uma inversão importante para o país, demonstrando a evolução dos procedimentos de extração.

Ainda falta um longo percurso até que a saúde bucal do brasileiro alcance índices realmente positivos. A melhora progressiva, porém, já é um indicativo de que as políticas públicas têm surtido efeito e que existe espaço para a atuação dos profissionais que desejam levar autoestima e qualidade de vida para a população. Basta prestar atenção nas oportunidades, sem se limitar à região Sudeste.

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