Protocolo de Brånemark na Implantodontia: como evitar o insucesso

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O protocolo de Brånemark, ou Hybrid Denture, é, atualmente, uma das reabilitações sobre implantes mais utilizadas pelos implantodontistas, por sua eficiência, segurança e ótimo índice de sucesso! Mas, ainda assim, a ocorrência de problemas durante sua prática pode acabar acontecendo.

Quando se fala em reabilitação com implantes, vale lembrar que a cirurgia reúne muitos pormenores! O ato cirúrgico, em si, pode gerar um estresse no especialista a ponto de turvar suas decisões, além de alterar a sua precisão. Não é à toa que manter a calma durante todo o processo é crucial para as chances de insucesso diminuírem.

Para te ajudar a lançar mão das técnicas do protocolo de forma descomplicada, convidamos o Dr. Fernando Hayashi, mestre e doutor em Periodontia e consultor científico da S.I.N. Implant System:

O que é o Protocolo?

É bem provável que você já tenha colocado em prática técnicas do Protocolo, ou tenha assistido a alguma cirurgia baseada no método, mas… você o conhece em detalhes?

Protocolo de Brånemark é a designação utilizada no Brasil para o tratamento no qual os  implantes suportam uma reabilitação total fixa que geralmente contém uma infraestrutura em metal, revestida por resina ou cerâmica.

Algo muito importante a ser destacado é que esta técnica une múltiplos implantes por meio da prótese, o que garante, dessa forma, maior sobrevida ao tratamento.

Para exemplificar, imagine uma reabilitação sobre cinco implantes na qual após dois anos ocorre a perda de um dos elementos. Dependendo da posição na qual o implante é perdido, a prótese ainda pode ser adaptada e o paciente continua apto a utilizá-la.

Ou seja, mesmo com a ocasional falha, a prótese ainda tem utilidade. O mesmo não ocorre em uma intervenção de implante unitário: neste caso, se o paciente perder o implante, ele perderá a prótese. Situação complicada, não é mesmo?

Quais os principais problemas que podem ocorrer no tratamento com o Protocolo?

Falta de rigor com os cuidados no pós-operatório.

Para um bom resultado e longevidade do tratamento, é fundamental que o paciente mantenha a higienização adequada durante e após a conclusão do tratamento. Complicações como a peri-implantite são cada vez mais comuns e têm uma estreita relação com descuidos na limpeza bucal.

Existem, ainda, pacientes que sobrecarregam as próteses com o consumo de alimentos muito rígidos ou mastigação errada. Ambos ocasionam quebras e descolamentos nos dentes.

Quanto maior a complexidade, menor a chance de êxito total.

Sabemos que existem casos em que a previsibilidade é menor. E isso deve ser levado em consideração na hora de avaliar se o procedimento deve ou não ser realizado.

Também é comum que a grande complexidade tenha relação com o maior índice de complicações. Por isso, o paciente precisa ser alertado sobre os riscos e, ainda, deve ser questionado se está disposto a realizar uma intervenção passível de evolução desfavorável, que demande tratamentos adicionais.

Vale lembrar, ainda, que atrasos são comuns nestes casos.

Quais os pontos que exigem atenção para um tratamento de sucesso?

O primeiro passo é transformar o paciente em colaborador. Isso quer dizer que ele precisa ser parceiro do dentista, principalmente com relação à higienização bucal adequada.

E tão importante quanto isso é ganhar a confiança da pessoa. Existem, por exemplo, pacientes que têm naturalmente uma insegurança maior, sobretudo quando ele já realizou o tratamento e houve qualquer intercorrência. Neste caso, caberá ao implantodontista convencê-lo de que a reabilitação com implantes é possível, durável e confiável.

Ah, lembre-se de redobrar os cuidados com os portadores de doenças sistêmicas e, também, fumantes.  Mas, acima de tudo, sabe-se que se a pessoa tiver rigor na higienização, os resultados serão bons, independentemente do seu quadro de saúde.

No mais, vale citar que uma conduta que é hoje bastante comum é a utilização de quatro implantes para fixar a prótese. Embora tenha sido demonstrado que este número é suficiente para o Protocolo de Brånemark, é recomendável o uso de mais do que quatro implantes, principalmente em situações desfavoráveis.

Assim, em caso de perda de implantes, dependendo das posições em que estes foram perdidos, o tratamento terá chances menores de comprometimento, tanto a curto como a longo prazo.

Por fim, todas as etapas do tratamento precisam receber atenção especial para evitar pequenos descuidos! Por exemplo, é comum realizar a avaliação do caso, o planejamento e a cirurgia de forma adequada, e, por deslize, equivocar-se na confecção da prótese. Isso pode ocorrer em função de algo básico, como errar na dimensão vertical.

Por isso, sempre vale lembrar: esteja atento, a todo momento, a todos os detalhes do processo.

Como evitar a osteotomia inadequada?

A osteotomia realizada de modo equivocado é um dos erros mais comuns neste tipo de tratamento. Dito isso, o que fazer? Antes de mais nada,vale reforçar que osobjetivos principais da osteotomia são: gerar espaço para o sistema de prótese, esconder a futura interface da prótese com a mucosa, assim como regularizar o rebordo.

E agora, trazemos para você algumas dicas e orientações:

No caso do desgaste ósseo, a fim de esconder a interface, é comum remover pouco ossona altura, resultando em erros estéticos. Para evitar o problema, é preciso ter atenção à altura do sorriso.Sorrisos baixos ou médios têm tratamento mais fácil. É que normalmente vão precisar de uma osteotomia menor, apenas para gerar espaço interoclusal.

Já o sorriso alto é o mais problemático, porque exige a remoção de mais osso que o convencional para esconder a interface. E em alguns casos, isso pode inviabilizar o protocolo, sendo indispensável a intervenção multidisciplinar, como a cirurgia plástica de abaixamento do lábio ao sorrir, cirurgia ortognática, ou ainda, não realizar o tratamento do tipo Protocolo de Brånemark caso a osteotomia seja inviável.

Então, o dentista deve analisar muito bem o paciente!

Para ajudar, vale tirar fotos, fazer filmagens do paciente sorrindo e falando (com e sem a prótese); forçar um sorriso para ter a noção de até onde o lábio vai e redobrar os cuidados nos casos de implantes imediatos, pois os dentistas têm uma tendência de tirar menos osso do que o recomendado nesses casos.

Mas veja bem: com um excelente planejamento e uma condução cuidadosa do caso, é possível obter resultados satisfatórios para ambos os lados. Ou seja, sucesso!!!

E quando tudo é feito de modo correto e o caso tem insucesso?

Sabemos que as pessoas respondem de maneiras diferentes ao mesmo procedimento e, embora o índice de sucesso com implantes dentários seja alto, algumas vezes o insucesso é imprevisível e inevitável.

O importante é não desanimar, investigar se algo passou despercebido e, se possível, tentar realizar o tratamento novamente.

Quer saber mais sobre este assunto? O Implantat, nosso habitat educacional, tem uma aula incrível e bem completa, ministrada pelo Dr. Fernando Hayashi, disponível para você! Acesse clicando aqui.

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