Doença periodontal: o que é, quais são suas causas e tratamentos?

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Quando falamos em saúde bucal não podemos esquecer que o foco não pode estar apenas nos dentes. Afinal, todos os tecidos da cavidade oral também podem ser acometidos por problemas. Um dos quais mais gera preocupação entre os profissionais é a doença periodontal.

Isso se dá pelo fato de que ela afeta os tecidos que dão suporte e proteção para os dentes, podendo levar à perda do elemento dentário. Além disso, as bactérias que se proliferam em função dessa doença podem desencadear quadros sistêmicos no paciente. Existe ainda o comprometimento dos implantes em função das doenças do periodonto.

Como esse tema é bastante complexo, conversamos com a Dra. Bruna Ghiraldini, Coordenadora do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento da S.I.N. Implant System para que nos explicasse mais detalhes sobre a doença periodontal, suas causas, tratamentos, formas de prevenção e a influência sobre os implantes. Confira!

O que é a doença periodontal?

A principal característica da doença periodontal é o fato de que ela não atinge especificamente o dente. Esse problema afeta os tecidos que estão ao redor dele e que garantem a sua sustentação e proteção, ou seja, o periodonto, composto pela gengiva, ligamento periodontal e o osso alveolar.

Consiste em uma inflamação ou infecção crônica cuja evolução e não tratamento traz consequências sérias, como:

  • retração gengival;
  • reabsorção dos tecidos periodontais;
  • formação de abscessos com pus;
  • mobilidade dentária;
  • perda do elemento dentário.

Além dessas complicações restritas à cavidade bucal, a doença periodontal está relacionada com complicações sistêmicas. Isso porque as bactérias que se proliferam no local afetado podem migrar para o organismo, atingindo os pulmões e o coração. Isso pode, por exemplo, desencadear a endocardite bacteriana e favorecer a instalação de outras infecções.

Quais são as causas da doença periodontal?

A doença periodontal não se manifesta como um problema primário. Na verdade, seu início se dá em função do acúmulo da placa bacteriana (biofilme) associado ao descuido com a higiene bucal e a falta de manutenção da dentição junto ao dentista.

Isso porque, se a placa bacteriana não é devidamente removida por meio da escovação, ela sofre um processo de mineralização com passar do tempo. Consequentemente, desenvolve-se uma gengivite, inflamação que fica restrita ao tecido gengival.

Desse modo, a falta de tratamento desse processo inflamatório evolui para a instalação dessa mesma inflamação nos tecidos periodontais, desenvolvendo a doença periodontal. Nesse caso, trata-se de um quadro geralmente crônico e muito mais extenso do que o primeiro.

Embora o principal motivo para a sua manifestação seja o descuido com a higiene e a falta de manutenção, existem alguns grupos de risco com maior propensão para o desenvolvimento desse problema. Esse é o caso dos fumantes e pessoas diabéticas.

Ademais, existem alguns indicadores de risco que apontam para uma suscetibilidade maior de determinados grupos quando comparados às pessoas que não apresentam esses indicadores. É o que acontece quando há alterações hormonais, como em mulheres gestantes, o período da menopausa, a osteoporose e outras deficiências sistêmicas e ósseas.

Quando esses fatores ou indicadores de risco são associados ao acúmulo da placa bacteriana e do tártaro, as chances de a doença periodontal se manifestar são muito maiores. Afinal, há uma condição propícia para a instalação da inflamação.

Quais são os sinais e sintomas da doença periodontal?  

Como a doença periodontal parte da gengivite, é possível que o próprio paciente perceba quando o problema está em fase inicial. Nesse caso, manifestam-se sintomas como:

  • sangramento gengival;
  • alteração da tonalidade da pele;
  • vermelhidão;
  • mudanças na textura do tecido;
  • inchaço;
  • sensibilidade.

Conforme explicamos, quando não tratada nessa fase, a gengivite evolui para a periodontite. Por ser um problema geralmente crônico, ela não desencadeia a dor, mas apresenta sintomas característicos como o sangramento.

Além disso, pode ser percebida a retração da gengiva, que deixa os dentes com um aspecto alongado e, em muitos casos, desencadeia sensibilidade em função da exposição radicular. Conforme o problema evolui, ocorre ainda a reabsorção dos tecidos do periodonto.

É possível também que haja prejuízo do ligamento periodontal e do osso alveolar. Como consequência, os dentes adquirem mobilidade. Ela tende a se agravar conforme a situação se torna mais expressiva e, com o tempo, isso leva à perda do elemento dentário.

Como é feito o diagnóstico dessa doença?

O diagnóstico da doença periodontal é feito por meio da análise clínica dos tecidos. Desse modo, o dentista analisa os sintomas e queixas e faz a sondagem dos dentes para identificar alterações e sangramentos que indicam a presença do problema.

Ele também pode solicitar um exame radiológico, que ajudar a investigar as estruturas internas. Assim, é possível averiguar a extensão do problema, bem como o comprometimento que ele já causou ao periodonto.

Como as doenças periodontais podem afetar um implante?

É muito importante que o paciente submetido ao tratamento com implantes entenda que, embora não se trate de um dente natural, ele também está suscetível a problemas como a doença periodontal. Quando ela atinge os tecidos ao redor do implante, manifesta-se a complicação periimplantar.

Ocorre basicamente da mesma forma do que a periodontite, porém, os tecidos afetados são aqueles que estão ao redor do implante, podendo ser a gengiva ou o osso. Na ausência de tratamento, existe o risco de o implante ser perdido, assim como um dente natural.

Por isso, é preciso um pouco mais de atenção com o pacientes que já sofreram a perda de dentes em função de uma doença periodontal anterior e colocaram implantes. Isso porque eles apresentam uma suscetibilidade maior para o problema, portanto, há necessidade de uma manutenção rigorosa.

De que maneira é feita a prevenção da doença periodontal?

Uma vez que o início da doença periodontal ocorre pela higienização deficiente e a falta de manutenção, sua prevenção é realizada por meio da remoção da placa bacteriana e do tártaro. Sendo assim, ela se inicia com os cuidados caseiros e se estende com as intervenções do dentista.

Essas consultas de manutenção precisam acontecer a cada seis meses. No entanto, quando o paciente tem uma propensão maior para doença periodontal, ele pode ser aconselhado a passar pela profilaxia dentária ou raspagem a cada quatro meses.

Também é preciso que os pacientes diabéticos mantenham a taxa de glicemia sob controle em função da sua maior suscetibilidade. Além disso, é fundamental evitar ao máximo o cigarro, que prejudica microcirculação e facilita a instalação das inflamações.

Quais são os tratamentos disponíveis para a doença periodontal?

É mais fácil conter a inflamação quando ela ainda é uma gengivite. Isso porque o problema está restrito, sendo facilmente revertido por meio da adoção de uma boa higienização e do controle no consultório do dentista.

De toda forma, a doença periodontal pode ser tratada, mas a abordagem depende do grau do problema, que pode ser leve, moderado ou severo. A primeira abordagem é a remoção da placa bacteriana e do tártaro por meio da raspagem simples, sem intervenção cirúrgica.

Nesse mesmo momento, o dentista precisa investigar áreas que facilitem a retenção da placa, como uma restauração com problemas. Essas características precisam ser corrigidas para evitar ao máximo o acúmulo do biofilme.

Depois de realizado esse tratamento inicial, o paciente passará por uma nova avaliação para verificar os resultados alcançados, se há necessidade de refazer a limpeza e raspagem ou se o profissional precisará de um acesso cirúrgico.

Nesse caso, ele é feito para alcançar áreas mais profundas ou para promover a reconstrução do tecido periodontal por meio de enxertos gengivais e/ou ósseos. Tudo isso depende muito da resposta que a pessoa teve ao tratamento e das suas necessidades.

A doença periodontal compromete significativamente a saúde bucal do paciente e oferece riscos para a saúde, de modo geral. Por isso, o diagnóstico precoce é muito importante, bem como a correta intervenção do dentista para conter o avanço do problema e revertê-lo, visando ao máximo minimizar suas consequências.

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